Como e quando introduzir a alimentação sólida na vida do bebê

Dentre tantos mitos e verdades, é normal que os pais fiquem confusos com relação à idade ideal para incluir o cardápio sólido complementar na alimentação do neném.

Para esclarecer essa e outras dúvidas sobre o tema, a Baby Dreams House entrevistou a médica pediatra Marcilene Oku e preparou uma matéria especial com detalhes importantes que você precisa saber para nutrir o seu bebê de forma saudável.

Segundo Marcilene, o ideal é que o aleitamento materno seja realizado exclusivamente até os seis meses da criança. Sabemos que essa pode não ser a realidade de muitas mães, por impossibilidades diversificadas. A doutura explica, então, que a Associação Brasileira de Pediatria recomenda, nesses casos, a complementação de fórmulas que o bebê precisa para se nutrir adequadamente até os seis meses de idade.


Passados os seis meses em que a criança recebe apenas leite, chega a hora de os pais começarem a incluir as comidinhas no cardápio do bebê, pouco a pouco. Mas como isso deve ser feito apropriadamente? Dra. Marcilene tem a resposta: introduzindo de forma progressiva um cardápio variado nutricionalmente. 

  • Pratinhos coloridos, respeitando a pirâmide alimentar

Um cardápio recheado nutricionalmente significa incluir nas refeições, alimentos de todos os grupos da pirâmide: carboidratos, proteínas, verduras, legumes, frutas. Entre os seis e os oito meses de idade, o organismo do bebê oportuniza a recepção dos vários tipos de alimento, favorecendo para que futuramente não haja intolerância a eles.

Os pediatras chamam essa fase de “janela de oportunidades”. É um momento de curiosidade; a criança gosta de conhecer texturas, sabores, cores e cheiros, e o corpo está propenso à aceitação. De qualquer forma, os pais devem ficar sempre atentos às reações físicas do neném após as refeições, evitando complicações alérgicas. Mas não se assuste tanto com as caretas!

É normal que as expressões faciais do bebê fiquem engraçadas ao experimentar novas comidinhas. Afinal, ele está lidando com uma recente surpresa e explosão inesperada de gostos desconhecidos.

  • Intercalação das refeições com o leite materno, inserindo-as gradativamente

Apesar da inserção dos alimentos sólidos, o aleitamento não pára de um dia para o outro. É o momento do seu bebê experimentar a mastigação e absorver novos nutrientes, mas o leite da mãe ainda é muito importante para o seu desenvolvimento.

Por isso, comece devagar para que ele aceite bem a mudança. Introduza primeiramente um almocinho sólido para substituir a mamada desse horário, mas mantenha o leite no lanchinho da tarde e no jantar, e assim sucessivamente, até que a criança esteja comendo alimentos sólidos em todas as refeições. A tática é essa: se oferecer comida em determinado horário, não ofereça leite no mesmo, pois a interação dos dois não é positiva; o leite dificulta a absorção de alguns nutrientes alimentares se forem consumidos ao mesmo tempo, como por exemplo, o ferro.

O ideal é começar a introduzir os alimentos no período diurno. A idade correta para o desmame materno completo é até os dois anos.

  • Como preparar a refeição do bebê?

Sem sal, sem açúcar. Ambos alteram a percepção do paladar e podem desencadear transtornos metabólicos a longo prazo. A partir de um ano de idade, o sal e o açúcar podem ser incluídos, mas ainda assim, com muito cuidado e moderação. Sobre a textura: no início, os alimentos devem ser amassadinhos com o garfo e transformados em papas, para facilitar a deglutição.

Nunca triturados ou batidos, pois além de perder a qualidade nutricional, os alimentos ficam líquidos e não permitem que o neném interaja com a sua textura.

  • Água sim, sucos e refrigerantes não

Embora o senso comum afirme que os sucos de frutas são saudáveis, a verdade é que eles são uma grande carga de açúcar sem nutrientes significativos. Ao triturar a fruta e transformá-la em suco, ela se torna pura frutose.

Como citado antes, os bebês não devem consumir açúcar, para evitar transtornos metabólicos e tendência à obesidade. Por isso, sucos, chás e refrigerantes não são nada benignos para eles. Para ajuda-los a digerir os alimentos, deve-se oferecer apenas água após as refeições.

  • O que muda no meu bebê quando ele começa a se alimentar?

O odor, a cor e a textura das fezes ficam naturalmente diferentes no início dessa fase. Isso porque o organismo da criança está se acostumando com a novidade. Fora isso, não é comum o bebê ganhar peso significativo durante a introdução da alimentação. Os seis primeiros meses são os que o neném cresce e engorda mais rápido.

Depois do primeiro semestre, há uma desaceleração leve e comum nesse aspecto. Portanto, se a alimentação for realizada de forma correta, não haverá grandes alterações proporcionais na curva de controle de peso da criança.

  • Mamadeira não é necessária nesse momento

Com a exceção das mães que não podem amamentar ao seio, a mamadeira não é necessária durante o processo de introdução dos alimentos do bebê. Os pais podem usar copinhos com bico de transição para oferecer água, até retirá-lo também, optando pelo copo de silicone comum.

O ideal é que não se ofereça mamadeira nem chupeta, embora em algumas situações, elas sejam necessárias. Como essa é uma tarefa complicada para muitos pais, em último caso, que não deixem a relação com a mamadeira passar dos dois ou três anos.

Muitas famílias relatam dificuldades alimentares na vida da criança, especialmente quando ela já está mais crescida. A dra. Marcilene Oku pontua por último, mas não menos importante, que a rotina de alimentação é extremamente significativa para que essas dificuldades sejam amenizadas.

Ter horários específicos para comer diariamente, e, durante esses horários, se dedicar integralmente à alimentação (não permitindo a interação com tablets, brinquedos ou televisão, por exemplo), faz com que o bebê associe a hora de comer a algo interessante, dando atenção a isso.

Além da rotina, dar o exemplo também é indispensável: se o seu neném te ver comendo alimentos saudáveis, respeitando o horário das refeições e atribuindo alegria e leveza à comida, é muito mais provável que ele se comporte assim também. Bom apetite!

Dra. Marcilene Teixeira Lima Oku CRM 13661 
Médica pediatra, neonatologista e intensivista
Consultório: Av. República Argentina, 210, sala 1306
Telefone: (41)3078-8187

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